Tem pessoas que bagunçam a rotina, o dia, os planos, tudo, e às vezes, até o coração. Contudo, não é sempre que conseguimos retribuir essa bagunça na mesma proporção e isso está tudo bem — até não estar.
Aquela frase ficou martelando na minha cabeça e trazia uma certeza sem alívio: “Você não pode curá-lo, mas pode respeitar o tempo dele — e escolher se esse tempo combina com o seu.”
Essa frase é ao mesmo tempo cruel e simples, porque por mais que tentamos ser o abrigo, a salvação, o remédio,feridas que não são nossas para curar, e há um limite de ajuda que é necessária decidir se realmente consegue esperar — ou se já passou da nossa hora.
Saber esperar pelo outro ou pela outra é um privilégio que ampara a entrega do afeto de forma respeitosa. Assim como amar o outro também inclui respeitar a nós mesmos. Doar-se ao outro não é apenas limitar-se à entrega, mas reconhecer o outro como algo que envolve a própria vida, amor e desafios… fantasmas, por exemplo. O que não obriga que, em algum momento, tenhamos que sair à caça desses monstros juntos. Quem sabe iluminar o caminho ou até mesmo, em certos momentos, simplesmente se ausentar.
Sobre a frase ainda incompleta que trazemos no primeiro momento: “Amor que liberta medo também revela a profundidade da alma.” Que ao mesmo tempo proporciona encanto e dor. Como sabemos, em certos momentos, amar pode ser uma grande surpresa. Causar medo, receio e insegurança, além de mostrar aqueles detalhes pessoais que tentamos esconder, os buracos, os traumas e até as marcas. Ou um amor de verdade, trazer uma tempestade. Doar-se é um ato que preocupa, isso é: temer ser deixado para trás. Olha o oposto, temer ser amado. O verdadeiro amor nos escancara um pavor inesperado, como ser enxergado por inteiro e magro escolhido.
Mas a verdade é que se o medo aparece, é sinal de que algo real existe — algo muito significativo. O amor de verdade provoca frio na barriga, mas também aquece o coração. Ele pode ser aterrador, mas de certa forma, ele nos convida a crescer, a mergulhar e a se curar, mesmo que seja de forma lenta e solitária.
No final das contas, amar talvez se resuma a isso: entender que não se pode controlar o tempo do outro, mas o próprio tempo pode ser escutado. E a escolha pode ser feita com sinceridade: vale a pena esperar? Vale a pena ficar?
A resposta nem sempre será afirmativa. Quando for, que seja avesso ao receio e sim, recheado de coragem, atenção e respeito. E quem sabe, um pouco menos de medo.
No momento, continuo aqui… pensativa, estudando — e, sim, solteira.(Este momento ideal, vem acompanhado de café, um pouco de impaciência e muita esperança.)

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