Vivemos em uma sociedade que é obcecada por padrões de beleza quase impossíveis. Isso é verdade para mulheres jovens também, especialmente nos tempos modernos. Elas são criadas em uma cultura em que sua imagem determina seu valor como pessoa – seja através do peso no mostrador, das calças que usam ou do tamanho da cintura. A pressão é constante e insuportável.
De acordo com os dados do Instituto Patrícia Galvão (2022), quase todas as brasileiras, 90%, sentem-se compelidas a ter um “corpo ideal”, e essa pressão não vem apenas da mídia ou das redes sociais. Ela está presente nos olhares, nos comentários “bem-intencionados” de parentes, nas revistas que pregam dietas milagrosas, e também – talvez de maneira mais silenciosa – nos julgamentos internos ao frequentar a academia. As mulheres são bombardeadas diariamente por mensagens conflitantes sobre seus corpos, e acabam internalizando padrões irreais de beleza da sociedade. Embora os avanços dos movimentos body positive, a cobrança por um determinado físico, muitas vezes inalcançável, ainda permeia a mente e a autoestima de muitas brasileiras.
Inúmeras são as vezes em que uma pessoa ingressa em uma academia movida pela vontade de cuidar do corpo e da mente, mas se depara, para sua infelicidade, com os olhares alheios julgadores, sempre atentos aos mínimos detalhes de seu progresso, sejam eles quais forem. Quantas jornadas serão necessárias para que cada qual deixe de ser medida conforme os parâmetros impostos por terceiros e passe a valorizar exclusivamente seus próprios esforços e conquistas ao longo do caminho trilhado em busca do autoconhecimento? Por quanto tempo mais teremos de suportar silenciosamente a carga daqueles juízos não solicitados sobre nossos corpos, nossas metas e nossos ritmos singulares? Cabe a cada qual perseverar em sua jornada, alheia aos olhares alheios, fixando a atenção apenas no diálogo íntimo entre mente e espírito.
Cada pessoa é única em sua constituição física e corporal. Negando tais individualidades, julgamentos sobre o padrão de beleza acabam por ser simplistas e preconceituos. Os caminhos para a saúde variam de indivíduo para indivíduo. O corpo humano responde de modo singular aos hábitos alimentares, aos exercícios, ao repouso, ao stress cotidiano, aos aspectos genéticos. A Organização Mundial da Saúde alerta que emagrecer de modo equilibrado demanda tempo. Mudanças muito aceleradas podem prejudicar mais do que ajudar a longo prazo. Em média, perder de meio a um quilo semanal caracteriza um ritmo benéfico.
Reduzir a trajetória de alguém a uma métrica simplista ou expectativa superficial negligencia a jornada humana. Ignora os desafios enfrentados, a resiliência demonstrada, as contrariedades experimentadas e, sobretudo, a força interior que conduziu aquela pessoa até ali.
E o que é ainda mais desumano: muitas mulheres abandonam seus objetivos não por falta de empenho, mas porque se sentem constantemente vigiadas e criticadas pela aparência. A academia, que deveria ser um espaço de autocuidado e desenvolvimento pessoal, infelizmente acabou se transformando em um palco de comparações e cobranças disfarçadas de “motivação”.
É hora de mudar essa cultura. Cada corpo segue um processo único. A jornada de autodescoberta de cada mulher é singular. O foco deve voltar a ser saúde, bem-estar, força, energia e autoestima. Não o peso idealizado por uma sociedade que historicamente lucra com a insegurança feminina.
As mulheres merecem se sentir confortáveis e livres para serem quem são. A beleza está dentro de cada uma, independentemente de medidas ou números. Cabe a nós encorajar todas a valorizarem sua jornada.
Se você está nesse processo: respire. ( Eu acabei de respirar aqui). você não precisa provar nada a ninguém. Seu corpo não é um projeto para o olhar dos outros. Continue, por você.
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